quinta-feira, 14 de outubro de 2010
domingo, 10 de outubro de 2010
fogo

Gastar das horas pra te ver dormir
Enquanto o mundo roda em vão
Eu tomo o tempo
O velho gasta solidão
Em meio aos pombos na Praça da Sé
O pôr do Sol invade o chão do apartamento
Vermelhos são seus beijos
Que meigos são seus olhos
Ver que tudo pode retroceder
Que aquele velho pode ser eu
No fundo da alma há solidão
E um frio que suplica um aconchego
Vermelhos são seus beijos
Quase que me queimam
Que meigo são seus olhos
Lânguida face
Seus beijos são vermelhos
Quase que me queimam
Que meigos são seus olhos
Lânguida face
Vanessa da Mata - Vermelho
terça-feira, 5 de outubro de 2010
Sobre mudanças e milagres
O milagre existe. Há quem diga que está nos pequenos detalhes. Há quem acredite em grandes milagres. Eu o vejo nos detalhes, e acredito nos grandes. Uma mudança também é um milagre. Difícil é aceitar a mudança, estranheza no início. Clichês a parte, nada é por acaso. E Deus (Deus?) sabe o que faz. Refleti sobre os milagres divinos. Prefiro não usar um nome. Acredito numa força, "Por isso uma força me leva a cantar / por isso essa força estranha no ar / Por isso é que eu canto, não posso parar / Por isso essa voz tamanha". Essa força que move montanhas e carrega as nuvens, nos livra de uma tempestade, nos brinda com um dia de sol, promove a festa da primavera, faz o mundo girar, e a vida viver. A força para a cura, a força para conquistas, a força para as vitórias. Essa semana, além dos meus pequenos milagres, presencio vários outros. O milagre do nascimento em meio ao desespero da morte. E depois o milagre da vida enganando a morte. Conquistas materiais (por que não?), resultado de trabalho e batalha que acompanho há seis anos. Conquista do auto-controle, depois de ver a pessoa batendo a cabeça feio por dois anos inteiros, é lindo ver a mudança. A atividade que não pára, os trabalhos que sempre vêm, a proposta que se cumpre: trabalho suado que rende bons frutos. E a mudança. Essas reviravoltas repentinas. O que têm de milagre? Talvez uma libertação. Minha vida vai mudar, talvez. Mas tem uma pessoinha que vai sentir essa mudança infinitamente mais forte, é hora de dar a mão. Ainda não digeri a informação. Que venha a mudança, que venha a liberdade, que outros ventos soprem em minha casa.
Vento que balança as palhas do coqueiro
Vento que encrespa as ondas do mar
Vento que assanha os cabelos da morena
Me trás notícia de lá
Prece ao vento (Fernando Mendes)
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
mimos
Praia ou montanha, torta de limão ou pudim de leite, sim ou não? Quero tudo, satisfazer meus caprichos de menina. Quero não precisar escolher entre coisas boas. A cada escolha feita, uma perda. E a dúvida. Como seria se a escolha fosse outra? Eis o mistério... depois da decisão, a coisa perdida sempre parece mais interessante-gostosa-divertida do que a coisa escolhida. No Natal eu sempre escolhi apenas um super presente. Quando chegava a hora, o Papai Noel fazia a parte dele de deixar o presente embaixo da árvore, e meus olhinhos atentos e ansiosos, quase não aguentavam esperar até meia noite. Presente aberto, caras felizes. Pensei tanto pra decidir o super presente, mas não pude evitar a dúvida. Seria esse mesmo o mais legal? Existia, porém, a esperança de um novo Natal. Eu poderia esperar mais um ano inteiro e escolher de novo, mais uma chance. Agora tenho a aflição de perder para sempre o caminho deixado pra trás. Não posso escolher de novo? Escolher o que mais me apetece no momento é alimentar o mimo. Vira brincadeira com o coração. Perigoso. E triste. O rio não corre mais rápido apenas porque quero. Uma escolha fecha uma janela. E abre uma porta. Será preciso bater mais do que uma vez na mesma porta até que ela se abra. Aceito os limites. Paciência, prudência e persistência... Capacidade de espera.
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